Ensaio infantil na praia: olhar sensível, ondas pequenas e memórias grandes
- Adrieli Cancelier

- há 2 dias
- 3 min de leitura
Anne tem cinco anos.
Faz seis daqui uma semana. Dia seis de fevereiro.
Ainda é estranho escrever isso.
Ela ama a praia, mas ainda tem um pouco de medo das ondas. Quando ela me pediu um ensaio infantil na praia, eu soube que não era só sobre um lugar.
Ela ama o mar, as pedras, o vento no cabelo, o tempo que parece se esticar. Mas se assusta quando o mar vem de forma imprevisível. E talvez seja exatamente por isso que, quando ela me pediu que o ensaio de seis anos fosse na praia, eu soube que não era só sobre um lugar.
A gente tinha acabado de voltar de uma viagem longa, também na praia. Eu poderia ter pensado “já fomos”. Mas alguma coisa em mim sabia que aquele pedido precisava ser ouvido. Porque crescer também é isso: aprender a pedir e ser levado a sério quando se pede.
Anne tem uma coleção de pedras. Pedras pequenininhas, coloridas, transparentes, brutas e roladas. Ela sabe exatamente onde procurar e sabe exatamente quais merecem ir embora com ela.
Na segunda-feira pela manhã, fomos para a Praia do Buraco, em Balneário Camboriú. Ela foi de galocha. Não por charme, mas porque ali havia pedras, areia quente e outras coisas que a parte sensorial dela tem um pouco de dificuldade para enfrentar. Era um lugar onde ela se sentia segura para observar, escolher, guardar.
Mas algo não estava bem.
Ela estava estranhamente irritada. Até o barulho das (pequenas) ondas estava incomodando. Ela estava frustrada e eu sabia o que era: um band-aid. Anne tem muita agonia com coisas coladas no corpo. Se eu conversasse, ela não deixaria tirar, então arranquei sem avisar, mesmo sabendo que viria uma pequena crise.
Veio.
Choro, raiva, desorganização. E uma mãe tentando equilibrar culpa, urgência, cuidado e espectativas. Minha esperança era simples: que ela conseguisse descansar, almoçar, se reorganizar por dentro para, à tarde, irmos para a praia sem ondas.
Deu certo.
Do choro ao sol: aprendendo com a criança
À tarde, fomos para a Praia da Figueira. Uma praia pequena, quase escondida, com acesso por um condomínio privado. Sem ondas. Silenciosa. Do tipo que oferece coragem.
Ela já estava inteira de novo.
O primo Benjamin e a tia Gabe foram com a gente. Brincaram muito. Riram. Correram. E conseguimos fazer QUASE todas as fotos que a Anne queria fazer. Uma de vestido de princesa. Outra deitada na ponte. O dia estava perfeito. Muito sol. Muito calor. Ficamos até às sete da noite na praia e nem vimos o tempo passar.
Mas ainda faltava uma foto.
Quando a praia vira lugar de coragem
Ela queria uma foto comendo pizza na praia.
No dia seguinte, acordamos tarde. Pedimos uma pizza e fomos para a praia de Porto Belo, ao meio-dia.
Nesse dia, Anne estava corajosa. Encarou as pequenas ondas, entrou no mar, nadou e (para minha surpresa,) nadou com as tartarugas.
Colocamos seis velas na pizza e cantamos parabéns. Comemos sentados na areia. As duas primeiras fatias foram sem pressa, mas depois eles estavam doidos para voltar para o mar.
Seis anos é uma fase muito simbólica pra gente.
A primeira infância fica para trás. Mas começa outra coisa. Uma infância mais independente, mais consciente, mais para fora. Com mais perguntas. Mais opinião. Mais autonomia.
Estamos muito felizes e muito animados para viver isso juntos, porque alguns sonhos a gente sonha antes e outros a vida vai mostrando, assim, aos poucos. Na forma de uma praia sem ondas. De uma pedra ou de uma pizza.
E de uma criança que cresce sabendo que pode pedir e que alguém vai escutar seu desejo de fazer um ensaio infantil na praia.
Se você quiser ver outros ensaios que nasceram assim, a partir de um sonho sendo realizado, pode conhecer também este ensaio de gestante em Curitiba ou este ensaio de família em Curitiba.




































































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